Na natação competitiva existem três fundamentos decisivos para o desempenho, que são a saída, a virada e a chegada. Apesar de serem comuns à quase todas as provas de piscina, não são todos os nadadores que realmente compreendem a sua importância. Esse é, portanto, o objetivo desta série de textos, que terá três partes, uma para cada fundamento.

Neste primeiro, trataremos especificamente da saída.


Há um relativo consenso de que a saída é composta pelas fases de impulsão no bloco, vôo, entrada na água, nado submerso (ondulação ou filipina) e o break-out, que é transição para o nado propriamente dito. Na competição, a avaliação desta fase se dá pela análise do tempo obtido nos primeiros 15m após o sinal de partida, que numa prova de 50m pode ocupar entre 25 e 30% do tempo final.

A impulsão no bloco possui relação com a velocidade de reação ao sinal de partida (recebimento e assimilação do estímulo externo por meio dos órgãos sensoriais até o início da contração muscular) e com a capacidade dos músculos de gerarem um alto nível de força em um curto espaço de tempo. A maior parte do aprimoramento dessa fase está relacionada aos treinamentos fora da água. Atenção nisso!

Os movimentos corporais realizados durante a fase de vôo determinarão em grande parte o ângulo de entrada na água, formado entre a inclinação do corpo e a linha da água. Quando esse ângulo é pequeno demais o corpo sofre maior desaceleração na entrada. Se for grande, o corpo irá demasiadamente para o fundo. O ângulo ideal fará com que a entrada aconteça suavemente, sem causar grandes turbulências na água.

Um ponto fundamental a ser ressaltado é a posição que o corpo assume após a entrada na água. Nesta fase, o primeiro objetivo do atleta deve ser alinhar braços, tronco e pernas de modo a estarem paralelos com a superfície da água. Em muitos casos, a pressa em iniciar o nado submerso faz com que corpo ainda não esteja na posição ideal. Neste caso, mesmo que as pernas gerem grande força de propulsão, a posição do corpo não proporcionará um bom deslocamento, pois gerará grande resistência.

A ondulação, quando bem realizada, pode ser bem mais veloz do que o nado. Isso acontece porque o corpo permanece submerso e, nessa condição, a influência das ondas é drasticamente reduzida. Pontos-chave para um bom nado submerso: (1) manter o corpo paralelo à superfície da água, em uma profundidade maior do que 80 cm, (2) evitar movimentação excessiva dos braços e tronco, (3) desenvolver boa força de membros inferiores e (4) na fase de subida da pernada não flexionar excessivamente os joelhos. Algumas variáveis como o tamanho do pé, por exemplo, também podem ser decisivas para um bom nado submerso.
No break-out é importante que o nadador esteja na profundidade correta, para não iniciar o nado com o corpo ainda muito fundo, e também saiba realizar uma transição rápida entre a ondulação e o batimento de pernas do nado no caso dos nados crawl, costas e borboleta, ou reduzir o deslize usualmente existente entre a pernada da filipina e o início da primeira braçada no nado peito.

Para acompanhamento da evolução da sua saída, peça ao seu técnico para cronometrar periodicamente o tempo de 15m. Lembre-se sempre que a melhora do resultado é consequência de um foco intenso no processo, isto é, nos treinamentos.
No próximo texto, vamos tratar da virada. Até lá!

 

Prof. Dr. Augusto Barbosa

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